Quando só um beijo não basta

Estávamos na mesma festa, e eu tinha certeza que nada aconteceria entre a gente, por mais que eu quisesse, nada tinha rolado durante um ano inteiro, não iria ser agora que iria rolar. Só que ás vezes, por mais que a gente tente, é impossível driblar o inevitável. Porque ás vezes (pelo menos no nosso caso) só amizade não basta.

O salão estava absurdamente cheio, e por vezes me peguei te procurando no meio de todo aquele caos, sem sucesso. Até que quando eu já havia desistido de te procurar e simplesmente curtir a festa, ouvi aquele seu assobio, que você adora fazer quando estamos saindo da escola com os moleques, vindo do andar de cima. Meu olhar cruzou com o seu instantaneamente e você me disse para subir.

Eu fui, e depois de alguns copos de catuaba, digamos que eu não estava no meu juízo perfeito. Para ser sincera, você também não. Minha amiga e você estavam conversando e eu deduzia que era sobre mim, o som estava alto demais e eu só consegui ouvir você falando “eu to muito bêbado, vai dar bosta” e minha amiga dizendo “não vai, relaxa” e saindo de perto. Um tempo depois você veio para me beijar, assim rápido e direto, meu primeiro impulso foi me afastar e dizer “não”, afinal, não era assim que eu tinha planejado.

Eu queria aquilo, claro que queria. Mais que isso, fui ingênua de achar que a vontade passaria depois que te beijasse, mal sabendo que na maioria das vezes ela tem a tendência a aumentar. Porque o desejo, ele não tem limites. E eu poderia ter insistido mais no “não”, poderia ter dito que aquilo era loucura, que daria merda e que não queria estragar nossa amizade. Poderia, poderia ter dito tudo isso, e ter tentado te convencer de que daria tudo errado, poderia. Mas não eu conseguia. Na verdade, eu não queria.

Meu impulso seguinte foi deixar você me beijar. Porque isso, ah isso eu queria e muito. Eu estava nas nuvens e, cá entre nós, estava completamente apavorada.

Nos beijamos com um certo medo de prosseguir e um medo maior ainda de parar. Tudo ao nosso redor se desligou, eu não ouvia mais nenhuma música, nenhuma voz, era só nós dois com a batida dos corações sincronizadas e um turbilhão de sentimentos tomando conta de todo o meu corpo que, naquele momento, estava com o total controle da minha mente e isso era bom demais. Isso me fez concluir qual é o real problema do desejo, ele tem a tendência a aumentar, de nos consumir e nos levar a loucura.

Foi um beijo longo, intenso, conseguia sentir o gosto de adrenalina dos nossos corpos, o gosto da conquista, da química, da certeza de algo. Eu estava eletrizada e simplesmente não me preocuparia em ficar beijando você ali para sempre, sentindo aquele seu toque suave e profundo ao mesmo tempo, que estava me deixando extasiada. Definitivamente não me arrependi, não foi um erro, não para mim.

Porque naquela noite eu sabia que te queria, só não podia imaginar que esse desejo permaneceria pelas noites seguintes.

PS: talvez essa história tenha uma continuação de novo, quem sabe.

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